terça-feira, 12 de maio de 2009

Albina e Negra



Ontem estava pensando em escrever algo das coisas bonitas daqui... Das pessoas, das paisagens...
Não fiz exatamente uma “revisão” do que eu já contei, mas de qualquer modo tenho receio de estar passando apenas imagens ruins! Sim, os problemas são muitos, mas se fosse só isso a experiência seria insuportável...
Seja como for, a idéia de escrever algo “de bom”, caiu por terra hoje na hora do almoço! Estava com a cozinha alagada devido a um cano que estourou, então fui comer fora.
No caminho, os artesãos oferecendo seus lindos trabalhos, os chapas lotados da rua, os varais improvisados com dezenas de coloridos batiques (telas de pintura local), a rua se remexendo em cor com as mulheres vestidas em suas capulanas (tecido local). Tudo de uma simplicidade e beleza já cotidiana. Eis que na porta do lugar onde eu ia comer uma mulher sentada no chão pedindo esmolas.
Nada de diferente se aquela mulher não fosse albina. Não, isso também não seria tanta novidade. O que me chocou, o que me impactou, foi que a mulher não tinha olhos! No lugar de seus olhos, duas pequenas manchas vermelho vivo, vermelho sangue. Era mendiga, albina, cega e não tinha os olhos! A cena mais impactante nestes meses.
Aqui as pessoas geneticamente com ausência de melanina na pele e cabelo (albinas) são muitas! E o preconceito muito grande! Sim, penso que o preconceito com os albinos é grande em qualquer país hoje em dia. Mas isso, em um país onde quase todos são negros, é “outra coisa”! Você não é apenas visivelmente diferente, você é o “contrário”! Enquanto todo o país e toda a sua família têm uma concentração muito grande de melanina na pele (e por isso que são chamados negros), a melanina não existe pra você! Quando você tem avós, pais, tios e irmãos negros, logo, também é negro. Mas negro? Como ser negro e albino ao mesmo tempo?
Tamanha é a dificuldade que em muitos lugares da áfrica subsaariana os albinos são visto como portadores de poderes mágicos e, por isso, são mortos e as partes de seus corpos vendidas e aproveitadas como remédios ou amuletos para trazer riquezas! Aqui não soube nada oficial, embora tenha ouvido que os assassinatos também acontecem! Já Tanzânia (que faz fronteira com Moçambique) esses assassinatos são freqüentes e são noticiados.
Não morta, a mulher que vi não tinha olhos! Tinha dois buracos com sangue vivo no lugar dos olhos! Com certeza não pode e não soube como manter seus olhos. Ela tinha, sim, feridas na pele, devido à exposição ao sol. Não estava coberta para proteger sua pele frágil. Certamente também não tinha passado cremes com protetor solar para abrandar essa exposição!
Só sei que essa imagem grudou na minha cabeça: Ela, negra, albina, na África, na rua, sentada no chão, ao sol das 13h, sem olhos, estendia a mão a quem passava, a pedir esmolas...
Desta vez, não tenho nada “ameno” para contar. Apenas divido com vocês essa imagem/ inquietação!
(A "poesia" deixo para a imagem que ilustra esse relato: Neste momento, vocês podem voltar os olhos para a mulher carregando o seu bebê na capulana, e sorrir!)
Fonte da imagem:
www.flickr.com/photos/feijeriemersma/3376083070/
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A captura do constrangimento


Data: 12 de maio de 2009.
Provavelmente sabia que era ele o motivo da fotografia.
Todos puderam olhar para a câmera.
Ele não conseguiu.
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domingo, 3 de maio de 2009

Notícias Africanas 04



Depois de terminar o "relatório", vi que a coisa estava na “associação livre”... Deixo assim mesmo!!

Hoje vou contar um pouco sobre Maputo e Nelspruit! Isso porque na sexta-feira de tardezinha uma colega ligou e disse: “-Vamos amanhã pra Nelspuit?”. E foi isso que aconteceu no sábado!

Embora Nelspruit (África do Sul) tenha 222 mil habitantes, ela é uma cidade de referência para Maputo (para saúde, consumo/compras e tecnologia), mesmo que Maputo (Moçambique) tenha mais de Um milhão de habitantes. A cidade sul-africana tem ares ingleses (ao menos na minha imaginação): tudo muito bem cuidado, ruas largas, bem sinalizadas, nenhum lixo na rua, nenhum morador de rua também! Contrasta com Maputo onde a maioria das ruas é estreita, muito esburacada e há pouca sinalização; O lixo em Maputo é um dos maiores problemas, está todo espalhado pelas vias nas áreas mais nobres e não possui coleta nos bairros mais afastados. A capital também não tem aterro sanitário! Não é raro que uma das sacolas plásticas que “voam pelo céu da cidade” acabe grudada no vidro de um carro e atrapalhe a direção!

(Ah, e por falar em direção, aqui o volante do carro fica do lado direito! Os carros são muito baratos, vem do Japão e, assim, quase todos têm cambio automático! O sentido do tráfego também é ao contrário! Custou muito aprender para onde olhar quando eu queria atravessar a rua! Eu costumo até fazer uma brincadeira “-Sabe o que é pior do que os carros andando em sentido contrário? Pior é não ter carro na rua e daí nem saber de que lado vem o perigo!” Na verdade nem é piada! Já aconteceu da rua estar totalmente vazia, eu não atravessar e esperar algum carro passar!! Assim eu sabia pra onde olhar durante o resto do percurso!!)

Voltando ao assunto anterior, passeio Nelspruit/Maputo, a estrada é muito bonita! Ela passa ao lado de uma imensa reserva (trecho de floresta protegida que junta Moçambique+Africa do Sul+Zimbabwe). Na altura onde fica o famoso “Parque Nacional do Kruger” é possível ver os animais da estrada! Ontem mesmo havia três jovens girafas, dois javalis e uma impala (um tipo de veado) bem pertinho da gente!! É assim: no Brasil olhamos da janela do carro e tem uma vaca. Aqui tem girafa, a 7 metros de você... Indescritível!!

Me contaram que antes a capital de Moçambique era a Cidade da Beira, mas como Maputo ficava mais próxima a África do Sul, fizeram a mudança! Ao menos é o que alguns moradores dizem... Tentei rapidamente agora achar algo na internet sobre isso, mas não tive muito sucesso! O que sei é que o norte do país é mais pobre que o sul. Moçambique tem várias etnias e 4 línguas locais "predominantes". Após a independência a língua portuguesa foi escolhida para tentar unificar o país. Segundo Mia Couto, em um programa de TV, embora o português seja a língua do colonizador a escolha por ela, e não por uma língua local, foi para que nenhuma etnia se sentisse mais valorizada que outra por ter sua língua posta como oficial no país. Mesmo assim, ao andar pela rua não é possível entender o que as pessoas falam! Menos de 30% da população do país fala português! As línguas locais têm um som totalmente estranho para os latinos. Estão classificadas como de origem bantu (mais de 600 línguas) e embora aqui existam entre 17 e 20 línguas, as mais importantes aqui são o xhosa, macua, xangana e zulu (não sei escrever direito).

Acho que a relação entre os dois países dos quais falo neste texto é muito parecido com a relação entre México e Estados Unidos. Embora não precise de visto para passar de um país a outro (o que é muito diferente dos países da América que citei), as pessoas saem de Moçambique em busca de uma vida melhor na África do Sul. Muitos vão trabalhar em minas de carvão, em condições subumanas e com o sonho de ganhar dinheiro e melhorar a vida da família. Desta forma sempre alguns ônibus com muitos trabalhadores são interceptados pela polícia! Por que as pessoas viajam sem nenhuma segurança, sem contrato de trabalho, em condições horríveis e quando chegam ao destino o trabalho que os espera é o trabalho em condições escravas! Igual também a migração do nordeste para o sul/sudeste do Brasil...

Tudo isso só me faz ter certeza que esse sistema de valores que vivemos é terrível... Na distribuição da riqueza... Nas mazelas de nossa gente de todo o mundo...

Bem... Não sei muito como terminar esse relato!! Só me vem na cabeça uma música sobre esse último tema... A música é romântica... Suave, como suave e romântica é a esperança dos trabalhadores do México, Brasil e Moçambique sobre a mudança de suas vidas...

“Veja você, arco-íris já mudou de cor
E uma rosa nunca mais desabrochou
E eu não quero ver você
Com esse gosto de sabão...na boca
Arco-íris já mudou de cor
E uma rosa nunca mais desabrochou
E eu não quero ver você
Eu não quero ver...
Veja meu bem, gasolina vai subir de preço
E eu não quero nunca mais seu endereço
Ou é o começo do fim...ou é o fim...
Eu vou partir, pra cidade garantida, proibida
Arranjar meio de vida, Margarida
Pra você gostar de mim

Essas feridas da vida Margarida
Essas feridas da vida, amarga vida
Pra você gostar... ”
(Vital Farias- Veja Margarida)

Para ouvir a música acima, tem um bom som (mas não tem imagens):


sexta-feira, 10 de abril de 2009

Mães Canguru



Apenas para ilustrar um pouco do que eu disse anteriormente...

Acima temos uma índia da america do sul, uma moçambicana no campo e uma mulher no hospital que tem o projeto "mãe canguru"!
...

Notícias Africanas 03 (ou "O Velho Leslão")



Dia 07 de abril é o dia da Mulher Moçambicana. Eu estava bem entusiasmada achando que poderia participar de alguma manifestação/festividade da sociedade civil. Que nada! As comemorações são organizadas pelo governo atual (que é o mesmo desde o final da guerra!) e as manifestações foram feitas propositalmente no dia 08 de março, que é o Dia Internacional de Luta Pelos Direitos das Mulheres.

A escolha pelo 07 de abril é em homenagem a Josina Machel (1946-1971) (em solteira, Josina Muthemba) que na juventude fugiu de Moçambique para lutar pela independência do seu país. Em 1969, Josina casou-se com o primeiro presidente eleito, com quem teve um filho. Com a independência de Moçambique, o dia de sua morte foi consagrado como o Dia da Mulher Moçambicana. Na luta pela libertação de Moçambique desempenhou um papel muito importante. É considerada uma heroína em Moçambique.

Mas voltemos ao hoje! Uma coisa interessante que a chamada “mulher moçambicana” faz em seu cotidiano, igualzinho nossos indígenas, é carregar a criança amarrada ao corpo. Na frente ou atrás... E então me lembrei de que quando eu era adolescente uma colega deu a luz a um bebezinho prematuro. Ela então participou do projeto “inovador”, chamado “mãe canguru”. O projeto consistia em que ela levasse amarrada junto a si o seu bebê, substituindo assim muito dos cuidados hospitalares, fazendo o bebê se desenvolver melhor...

Já agora nos anos dois mil e algo vejo um debate do quanto hoje em dia não “sabemos mais”, e sim trocamos um conhecimento por outro... Sabemos muito sobre computadores, celular, blábláblá, mas se nos perdermos em uma mata não saberemos qual planta não tem veneno pra comer... onde tem água... Olhando as mulheres pelas ruas da cidade penso na mãe canguru... O tal projeto de minha adolescência que reinventava a roda, por um conhecimento desaprendido...

Outra coisa que faz tempo queria dizer é sobre o racismo! Teve uma campanha no Brasil que perguntava as pessoas: “Onde você guarda seu racismo?”. Vamos a isso! Um dia entrei em uma sala de reuniões de um serviço de saúde e todas (todas!) as pessoas eram negras. Claro que nascida e criada no Brasil isso não passou despercebido aos meus olhos! De repente ativista, médica, socióloga, psicóloga, eticeteróloga eram negras! Não sei nomear a sensação! Claro que eu já tinha refletido não ter tido NENHUM professor negro até minha pós-graduação, e não ter NENHUM colega de trabalho psicólogo negro até 2007... Mas essa sensação corporal, mental, emocional (ancestral?) que senti é indescritível!

Penso agora em um homem, negro, do sertão da Bahia, analfabeto, lavrador aposentado com um salário mínimo, com ascendência africana de algum país que não se sabe o nome. Saiu de sua terra pra tentar a vida no “sul maravilha” e nunca mais voltou! Ele, há 25 anos, sempre ia de carroça pra cidadezinha perto do sítio onde morava. Ele ia buscar “lavagem” nas casas da cidade pra alimentar os porcos. Às vezes levava sua netinha com ele. E ela se sentia toda feliz e importante por participar do trabalho do avô: em cima da carroça pela estrada; se equilibrando pra não cair ao balanço do cavalo; indo de porta em porta abastecer os tambores que levavam. Nessas oportunidades, quando o trabalho acabava, antes de voltarem para o sítio o avô parava em uma mercearia para menina tomar uma “sodinha” e escolher um doce na vitrine. Esse dia sempre era uma festa em seu coraçãozinho! Sempre era um doce-de-abóbora de coração que ela escolhia. E sempre, Sempre, SEMPRE!!!, alguém perguntava “_Como um homem ‘preto feio’ desses pode ser avô de uma menininha tão linda?”. O avô sorria sem jeito, fingindo não se importar com a brincadeira. A menininha tentava também esconder a tristeza por terem dito que ele não era seu avô. Por terem dito que era feio. Acho que o coraçãozinho da menininha chorava baixinho, como um doce-de-abóbora derretendo nas mãos: devagarzinho. O avô se chamava Antônio de Assis Leslão.

Nunca vi meu avô dizer que é negro com tranqüilidade. Quando ouvi algo, foi mais como um preto-encabulado. Acho meu avô nunca foi atendido por nenhum médico negro. Acho que ele talvez não se lembre dessa história. Acho que é por isso que uso o Leslão. Leslão é minha escolha porque não é de “preto feio”. É de negro lindo. Que eu amo!

Sem mais por agora, fico por aqui!


Beijos... Saudades...

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quarta-feira, 11 de março de 2009

Cordel: Aborto e Excomunhão



EXCOMUNHÃO DA VÍTIMA
(Miguezim de Princesa)

I
Peço à musa do improviso
Que me dê inspiração,
Ciência e sabedoria,
Inteligência e razão,
Peço que Deus que me proteja
Para falar de uma igreja
Que comete aberração.


II
Pelas fogueiras que arderam
No tempo da Inquisição,
Pelas mulheres queimadas
Sem apelo ou compaixão,
Pensava que o Vaticano
Tinha mudado de plano,
Abolido a excomunhão.
III
Mas o bispo Dom José,
Um homem conservador,
Tratou com impiedade
A vítima de um estuprador,
Massacrada e abusada,
Sofrida e violentada,
Sem futuro e sem amor.
IV
Depois que houve o estupro,
A menina engravidou.
Ela só tem nove anos,
A Justiça autorizou
Que a criança abortasse
Antes que a vida brotasse
Um fruto do desamor.
V
O aborto, já previsto
Na nossa legislação,
Teve o apoio declarado
Do ministro Temporão,
Que é médico bom e zeloso,
E mostrou ser corajoso
Ao enfrentar a questão.
VI
Além de excomungar
O ministro Temporão,
Dom José excomungou
Da menina, sem razão,
A mãe, a vó e a tia
E se brincar puniria
Até a quarta geração.
VII
É esquisito que a igreja,
Que tanto prega o perdão,
Resolva excomungar médicos
Que cumpriram sua missão
E num beco sem saída
Livraram uma pobre vida
Do fel da desilusão.
VIII
Mas o mundo está virado
E cheio de desatinos:
Missa virou presepada,
Tem dança até do pepino,
Padre que usa bermuda,
Deixando mulher buchuda
E bolindo com os meninos.
IX
Milhões morrendo de Aids:
É grande a devastação,
Mas a igreja acha bom
Furunfar sem proteção
E o padre prega na missa
Que camisinha na lingüiça
É uma coisa do Cão.
X
E esta quem me contou
Foi Lima do Camarão:
Dom José excomungou
A equipe de plantão,
A família da menina
E o ministro Temporão,
Mas para o estuprador,
Que por certo perdoou,
O arcebispo reservou
A vaga de sacristão.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Notícias Africanas 02


Bom dia, querid@s!

Na primeira mensagem enviei as impressões de uma semana nesta terra. Agora já se passou um mês. Hoje faz exatamente 30 dias que aqui estou.

Bem, visitei um serviço de saúde. É o Hospital Central... na verdade não foi bem o hospital que visitei, conheci em um dia o serviço chamado SAAJ- Serviço de Atenção para Adolescentes e Jovens, que tem como foco a AIDS (SIDA). A prevalência (não sei se essa é a palavra certinha) de HIV nesta população (de 14 a 25 anos) é algo em torno de 30%.
Infelizmente aqui a o serviço de testagem e aconselhamento ainda está muito aquém do ideal, porque há poucas pessoas habilitadas para fazer os testes, o que leva a muitos resultados errados. E se o teste (que é uma coisa bem técnica) é assim, imaginem o aconselhamento? Agora é que vão começar um trabalho mais especifico com prevenção, durante o aconselhamento pré e pós... Agora é que estão começando a valorizar o que eles chamam de “permanecer negativo”.

Em outro dia eu voltei neste lugar e visitei o serviço que chamam de IVG- Interrupção Voluntária da Gravidez. Aqui a lesgislação é muito antiga e o aborto ainda é crime, porém existem portarias atuais que permitem o procedimento, que é gratuito e feito em alguns centros de saúde do país. Usam de técnica medicamentosa e também de aspiração manual. O tempo em que a moça/mulher espera para o procedimento é curto. Não tenho certeza, mas não deve ser mais que 1 ou 2 semanas (depois confirmo isso e passo pra vocês). Pode ser feito a partir do 10 anos de idade (*!!). Existe aconselhamento pré e pós aborto e contatos em 1 mês; 6 meses e; 1 ano. Aqui falar de aborto não é simples, todavia é menos complicado que no Brasil. Penso porque (“graças a deus”- ou a deusa) a moral cristã aqui tem menos influência que em nossa latinoamérica.

Para fazer prevenção acerca dos dois temas acima, aqui eles usam pessoas jovens. Eles chamam de “ativistas”, que não tem salário, mas recebem uma ajuda de custo. Esses ativistas foram formados por um curso e agora recorrem a cidade abordando essas temáticas com outros jovens. Uma coisa que chama a atenção é que aqui as meninas preferem conversar esses temas com os meninos, e vice-versa! Isso porque como aí, temos uma cultura bem machista, mas que opera um pouco diferente, fazendo que as pessoas não confiem muito nas pessoas de seu mesmo sexo, como se fossem sempre competidores entre si.


Eu estou fazendo um estágio voluntário no serviço de IVG. Afinal, quando no Brasil eu ia ter oportunidade de conhecer um serviço desses? E se é pra ser voluntária, que seja em algo que eu possa aprender muito.

No país este é um momento em que as vagas são para as pessoas de Moçambique. Isso porque aqui, existem muitos órgãos internacionais, logo, muitos estrangeiros. Então agora tem um a portaria que regula a proporção estrangeiro/moçambicano nesses órgãos. E, a cota pra estrangeiros varia de apenas 5% a 10%.

Sou extremamente a favor da proteção aos profissionais locais, talvez eu fizesse o mesmo se estivesse no lugar da pessoa que pensou essa lei. Porém também é um dado de realidade que Moçambique ainda está formando seus profissionais locais, ou seja, será muito difícil qualificar os serviços porque há uma falta real de profissionais (vide inicio do email onde eu falei da testagem/aconselhamento). Em todo o país (que não é pequeno) existem apenas 750 médicos, por exemplo. Quando eu cheguei ouvi falar que eram 400, mas depois uma amiga disse que são 750.

Bem, queridos, por hora é isso.

A foto que envio hoje quem a tirou foi uma moça americana que passou por aqui 3 meses no ano de 2008.

Nada do que eu disse aqui são dados “oficiais”! Apenas estou compartilhando o que aprendi de ouvido por aqui!

Beijo grande neste dia de sol e pouco calor (só 30°C)

(*) Vocês estão acompanhando o caso da garota de 9 anos (1,33 m e 36kg), pernambucana, que foi estuprada e engravidou de gêmeos? Ela teve o direito, assegurado pela lei brasileira, de fazer o aborto pq a gravidez era advinda de um estupro e pq ela corria risco de vida! Agora, vocês acreditam que a "santa madre igreja" católica tá processando e excomungando a mãe da menininha e a equipe de saúde que cumpriu o seu papel? Cada vez fico mais passada com esse tipo de atitude!! Ah! O padrasto e estuprador da criança ninguém excomunga!! SOCORRO! Páre o mundo que quero descer!!
http://www.apostasiacolectiva.org/
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