segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Mulheres nas Eleições


No Brasil, estamos me pleno período eleitoral. Por isso, no boletim do CFEMEA saiu um texto sobre a quantidade de candidatas que temos nas disputas eleitorais deste ano.

Salvo raríssimos casos, os partidos sequer chegam a cota obrigatória de candidaturas femininas.

Se, por um lado muitos pensam que há um desinteresse generalizado por parte das mulheres a disputarem e assumirem esses postos públicos, por outro lado notamos que há dificuldades concretas para que se coloquem nesses lugares.

Em nossa sociedade, um homem casado, pai de 2 ou 3 filhos, em idade escolar, pode perfeitamente ser um deputado federal. Provavelmente não haveria empecilhos para que ele viajasse todas as semanas, ficando fora de casa de segunda a quinta. Ou mesmo, talvez sua esposa pedisse demissão para a família toda se mudar para a capital federal do Brasil.

E o inverso? Como seria para uma mulher casada e mãe de 2 ou 3 filhos, em idade escolar, ser deputada federal? Seria possível seu marido pedir demissão do emprego para acompanhá-la, junto com as crianças, para Brasília? Ou seria tranquilo para todos que ela passasse as semanas fora de casa, estando presente apenas de sexta a domingo?

Digamos que sim, que essas últimas hipóteses sejam realizáveis. Pergunto: quem é que prepararia o café-da-manhã desta família? Quem cuidaria da arrumação da casa ou das compras dos produtos de limpeza? Quem colocaria na máquina-de-lavar as roupas da família? Provavelmente uma outra mulher, contratada e registrada como empregada doméstica e que, mesmo com esse registro, não teria acesso a todos os benefícios trabalhistas como os demais trabalhadores do país.

Falamos muito em divisão do trabalho doméstico, mas nem tanto do alcance que isso teria na vida das milhares de mulheres aqui e no mundo.

Quando uma mulher assume um posto executivo, de poder, público, ou algo que o valha, e está fora de casa a maior parte do tempo, consequentemente é uma outra mulher que assume suas “obrigações” para com a casa e a família. E, provavelmente, mesmo sendo o marido que esteja presente na casa muito mais que ela, será tarefa da esposa “administrar” a funcionária “doméstica” e suas funções.

Então, com esse quadro, ainda fica a dúvida: quando é que realmente teremos condições de termos minimamente 30% de candidatas nas eleições? Provavelmente quando nossa sociedade incentivá-las a pensar mais em “como acabar com a fome em nosso país” do que “qual o melhor horário para ir a feira comprar legumes a bom preço”.

Fonte da imagem: Banksy

2 comentários:

Flávia de Mattos Motta disse...

Olha vou te falar uma coisa, tem dia que só ser professora e mae de 3 com apenas uma em idade escolar, já parece missão impossível...
bj, queri!
Flavia

Mr Marcinho disse...

Do dia-a-dia de milhões de mulheres, sem visibilidade em meio ao desenvolvimento das forças produtivas, a opressão da mulher como ser social AINDA. Gostaria muito de ver em minha vida e logo esse abolicionismo; e penso que para isso sera necessária uma organização própria não de forma estática mas sim com diferentes motivações além da ecônomica que é a primeira que pega mas questões culturais e morais !!!Vendo você falar assim sobre as questões que nosso tempo nos coloca
queria poder colaborar dizer as todas as mulheres das condições iguais de competição (por exemplo, no mercado de trabalho),e ressaltando que essa luta também se trava entre gêneros e intra-gênero!Te admiro ativista incansável estamos juntos nessa e tantas outras Bjo