quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Minha minissaia não é um convite


Com tanta coisa circulando sobre Geisy, a moça expulsa da Uniban após ter sido violentada verbalmente por ir à faculdade com um vestido curto, não me animei pra escrever nada.

Animei sim pra postar uma poesia que li no NewYorKibe. Ela é parte de um trabalho muito interesante chamado "Os Monólogos da Vagina", onde a autora viajou pelo mundo perguntando a mulheres muito diferentes coisas sobre sua vagina. Essa pesquisa virou um peça de teatro, livro e DVD.


Poesia de Eve Ensler e tradução de Raphael Neves

"Minha minissaia não é um convite
uma provocação
uma indicação

do que eu quero

ou dou

ou que eu flerto.

Minha minissaia

não está implorando por isso

não está querendo que você

a arranque de mim

ou a abaixe até o chão.


Minha minissaia

não é um argumento jurídico

para você me violentar

ainda que já tenha sido
e não vai servir de prova
em nenhum tribunal.


Minha minissaia, acredite ou não

não tem nada a ver com você


Minha minissaia

tem a ver com a descoberta
do poder das minhas pernas

e do ar frio do outono passeando

pelo interior das minhas coxas

tem a ver com tudo o que eu vejo

ou passo ou sinto viver dentro de mim.


Minha minissaia não é prova

de que eu seja estúpida

ou indecisa

ou uma menininha maleável.


Minha minissaia é meu desafio

e você não vai me amedrontar

Minha minissaia não está se exibindo
é esta que eu sou

antes que você me faça cobri-la

ou disfarçá-la.

Acostume-se.

Minha minissaia é felicidade

Eu posso me sentir no chão.

Sou eu aqui.
E eu sou gostosa.


Minha minissaia é liberação

bandeira no exército das mulheres

Eu declaro estas ruas, quaisquer ruas

o país da minha vagina.


Minha minissaia

é água azul turquesa

onde nadam peixes coloridos

um festival de verão

na escuridão estrelada

um pássaro cantando

um trem chegando em uma cidade
estrangeira

minha minissaia é um rodopio

um suspiro profundo

um passo de tango

minha minissaia é
iniciação

apreciação

excitação.


Mas acima de tudo minha minissaia
e tudo que ela cobre

é Meu.

Meu.

Meu".

Para ler a nota de expulsão, clique AQUI.
Para assinar o manifesto contra a Uniban, clique AQUI.
.
Fonte da imagem e texto sobre a invenção da minissaia: http://www.fashionbubbles.com/2006/a-invencao-da-mini-saia/

8 comentários:

Isadora disse...

assisti à peça, mas não lembrava desse trecho. muito bom!

Zá (ou não) disse...

vou roubar seu post.
pode?

Janaína Leslão disse...

ladrão que rouba ladrão tem 100 anos de perdão (mas só nestes casos)! rsrs

Janaína Leslão disse...

isa, eu tb assisti e não vi... No dvd tb não tem!
deve estar no livro... hehe

no mais, a tod@s:

SAIA de SAIA, mas SAIA!
Amanhã, sexta-feira 13 (bruxas?)!
PUTAS (por profissão ou indignação),
é a hora de união contra o retrocesso

BLue Wings disse...

Las minifaldas!!! POr dios!!! y pensar que todavia hay varones que justifican sus agresiones sexuales en el uso de las "minissaias"... todavia llaman de putas a las que lo usan o creen que son una oferta de crane!!! POr la Diosa!
Maravilloso el poema!!! Beijos Jana!!!!

carla disse...

Muito bem pensado,Janaína
esse poema já diz tudo
obrigado pela tua visita e comentário no meu blog
serás sempre benvinda
volta mais vezes
Beijo de Portugal e Brasil

Jamylle Bezerra disse...

Muito bom!!!!

Devia virar cartaz e ser colado na porta do lugar que chamam de universidade - a Uniban.

Bom domingo!!!

marlene disse...

Bravo!!
você tem uma forma deliciosa de colocar as questões! Leia-se: profunda e com leveza!
beijo